{"id":7126,"date":"2020-11-28T17:28:45","date_gmt":"2020-11-28T17:28:45","guid":{"rendered":"https:\/\/laparisserie.com.br\/site\/?p=7126"},"modified":"2020-11-28T17:32:05","modified_gmt":"2020-11-28T17:32:05","slug":"sobre-memoria-afetiva-e-uma-receita-doce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/laparisserie.com.br\/site\/index.php\/2020\/11\/28\/sobre-memoria-afetiva-e-uma-receita-doce\/","title":{"rendered":"Sobre mem\u00f3ria afetiva e uma receita doce"},"content":{"rendered":"\n<p>Nesse post escolhi falar um pouquinho sobre o que a confeitaria representa para mim. Dentre muitas coisas, talvez a mais significativa, seja o afeto. Quando penso em doces, quando penso na minha hist\u00f3ria com a confeitaria, sempre me vem momentos de afeto, de carinho, e alegria.<\/p>\n\n\n\n<p>A carga afetiva de uma sobremesa \u00e9 algo realmente impressionante, carregamos mem\u00f3rias de momentos e receitas que nos marcam para o resto da vida. Viram nossas \u201cmadeleines de Proust\u201d, por assim dizer, numa busca incessante d\u00e0queles momentos, para reviv\u00ea-los.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos temos a sorte de nos deparar com surpresas, algo que nos remeta ao \u201cdoce da minha av\u00f3\u201d, ou um \u201cera assim que minha m\u00e3e costumava fazer\u201d. Percebam que, na grande maioria das vezes, o doce est\u00e1 conectado ao feminino, ao agrado de m\u00e3e\/v\u00f3\/tia, n\u00e3o \u00e9 por acaso que a carga afetiva \u00e9 t\u00e3o forte.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada doce carrega uma hist\u00f3ria. Carrega mem\u00f3ria, \u00e0s vezes at\u00e9 mais fortes que a da comida, pois o doce tem ainda a caracter\u00edstica de \u201cmomento especial\u201d: de uma comemora\u00e7\u00e3o, de um alento por um machucado, de uma \u201crecompensa\u201d por dever cumprido, de um segredo entre av\u00f3 e neta (que n\u00e3o deveria comer uma segunda por\u00e7\u00e3o da sobremesa, mas ganhou sem a m\u00e3e ver), de uma viagem de f\u00e9rias na praia (\u00fanica vez no ano em que picol\u00e9 todos os dias da semana era poss\u00edvel!), e por a\u00ed vai&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando escolhi a confeitaria como profiss\u00e3o, a capacidade de se proporcionar momentos assim com meu trabalho foi definitivamente um dos motivos da minha decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o muitas as mem\u00f3rias afetivas ligadas aos doces na minha vida, talvez as minhas mais queridas. E pelo mesmo motivo acho impenss\u00e1vel a confeitaria n\u00e3o ter o mesmo espa\u00e7o na gastronomia por aqui. Simplesmente n\u00e3o faz sentido,n\u00e3o acham?<\/p>\n\n\n\n<p>Fazer e comer doces me faz feliz. Fazer para outros se deliciarem e criar suas pr\u00f3prias mem\u00f3rias, celebrar um evento, ou mesmo um momento de paz num caf\u00e9 da tarde, \u00e9 ainda mais gratificante.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema \u00e9 t\u00e3o importante, que j\u00e1 virou debate, evento, e teve uma edi\u00e7\u00e3o inteira de revista de gastronomia dedicada a ele (Revista Feira \u2013 segunda edi\u00e7\u00e3o).  <\/p>\n\n\n\n<p>Fica aqui meu convite para essa reflex\u00e3o. Um tema importante e de grande peso para pensarmos o que e como queremos ver no crescimento da profiss\u00e3o por aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>E fica tamb\u00e9m minha homenagem \u00e0 receita de arroz doce da minha av\u00f3 paterna, que era sua sobremesa assinatura, e que marcou nossas vidas com todo o carinho que ela dedicava \u00e0 fam\u00edlia. Essa receita me remete a coisas muito boas: f\u00e9rias no interior, almo\u00e7o em fam\u00edlia, geladeira vermelha antiga da vov\u00f3 cheia de del\u00edcias, natal, gostinho de lim\u00e3o e canela em colheradas fresquinhas e cremosas\u2026pois n\u00e3o tem lugar mais ligado afetivamente aos doces do que Minas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 a minha vers\u00e3o. Mais leve, mas n\u00e3o menos saborosa, para voc\u00ea ter um momento de afeto com os seus, e, quem sabe, criar novas mem\u00f3rias..<\/p>\n\n\n\n<p>Essa receita usei na primeira edi\u00e7\u00e3o do \u201cJantar de sobremesas\u201d, fica deliciosa servida com compota de jabuticaba, ou frutas frescas da esta\u00e7\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>Um pouquinho de doce e carinho para seu dia, e at\u00e9 a pr\u00f3xima!<\/p>\n\n\n\n<p>Arroz doce da V\u00f3 Nidinha, com afeto, pela neta Mariana:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table is-style-stripes\"><table  class=\" table table-hover\" ><tbody><tr><td><strong>Ingrediente<\/strong><\/td><td><strong>Quantidade<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>Arroz<\/td><td>200g<\/td><\/tr><tr><td>\u00c1gua<\/td><td>600g<\/td><\/tr><tr><td>Leite integral<\/td><td>400ml<\/td><\/tr><tr><td>A\u00e7\u00facar<\/td><td>40g<\/td><\/tr><tr><td>Lim\u00e3o (casca sem a polpa branca)<\/td><td>1<\/td><\/tr><tr><td>Chocolate branco<\/td><td>100g<\/td><\/tr><tr><td>Cr\u00e8me de leite fresco<\/td><td>400g<\/td><\/tr><tr><td>Canela em p\u00f3<\/td><td>Salpicar a gosto<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Arroz doce: cozinhar o arroz na \u00e1gua at\u00e9 ficar bem macio. Juntar leite com a\u00e7\u00facar, e casca de lim\u00e3o cortada em tiras sem a polpa branca e cozinhar em fogo brando at\u00e9 ficar cremoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Fora do fogo juntar o chocolate branco e incorporar. Resfriar.<\/p>\n\n\n\n<p>Bater creme de leite fresco em ponto quase chantilly e incorporar ao arroz doce frio.<\/p>\n\n\n\n<p>Salpicar canela em p\u00f3 e servir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesse post escolhi falar um pouquinho sobre o que a confeitaria representa para mim. Dentre muitas coisas, talvez a mais significativa, seja o afeto. Quando penso em doces, quando penso na minha hist\u00f3ria com a confeitaria, sempre me vem momentos de afeto, de carinho, e alegria. 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