{"id":7133,"date":"2020-11-28T17:58:48","date_gmt":"2020-11-28T17:58:48","guid":{"rendered":"https:\/\/laparisserie.com.br\/site\/?p=7133"},"modified":"2020-12-02T00:13:08","modified_gmt":"2020-12-02T00:13:08","slug":"vejo-mudancas-a-caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/laparisserie.com.br\/site\/index.php\/2020\/11\/28\/vejo-mudancas-a-caminho\/","title":{"rendered":"Vejo mudan\u00e7as a caminho&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<p>*Texto publicado em dezembro de 2020<\/p>\n\n\n\n<p>Desde pequena, quando vou a um restaurante, come\u00e7o lendo o card\u00e1pio pelas sobremesas. Sempre foi assim, e fa\u00e7o at\u00e9 hoje. Escolho meus pratos de acordo com o que me apresentam para finaliza\u00e7\u00e3o. Se tem algo que muito me interessa, posso pular a entrada ou escolher um prato principal mais singelo para poder realmente me esbaldar no que adoro!<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar dos anos, menos e menos vezes eu escolhia uma sobremesa. N\u00e3o porque eu n\u00e3o queria um doce, mas pela falta de criatividade das op\u00e7\u00f5es. Mesmo em restaurantes considerados \u201cde primeira\u201d, a carta de sobremesas era uma decep\u00e7\u00e3o atr\u00e1s da outra. O mesmo \u201cpetit g\u00e2teau\u201d, o mesmo modismo da \u00e9poca, uma op\u00e7\u00e3o de \u201cfruta da esta\u00e7\u00e3o\u201d (bastante question\u00e1vel, pois nunca era da esta\u00e7\u00e3o), ou sorvete (que na grande maioria das vezes era industrializado). Uma tristeza&#8230;n\u00e3o entendia porque o card\u00e1pio n\u00e3o tinha a mesma aten\u00e7\u00e3o para as sobremesas. J\u00e1 ouvi Chefs dizendo que \u00e9 uma parte do menu que vende pouco, ent\u00e3o n\u00e3o d\u00e3o aten\u00e7\u00e3o. Oi? Ser\u00e1 mesmo? Quando passei a trabalhar no meio percebi que o problema era bem mais complexo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ano passado o Chef Diego Lozano fez um post \u201cdesabafo\u201d que tocou num ponto ess\u00eancial! Ele falou da sua frustra\u00e7\u00e3o em tentar trabalhar com empresas que n\u00e3o valorizam o trabalho que tem que ser feito na confeitaria. Ambiente de trabalho inadequado, sem refrigera\u00e7\u00e3o, utens\u00edlios e ambiente que n\u00e3o s\u00e3o separados de outras \u00e1reas da cozinha, equipamentos ultrapassados, dentre outros problemas. Como se o confeiteiro tivesse que se virar, \u201cfazer m\u00e1gica\u201d, como se fazer doce fosse algo simples que n\u00e3o demanda uma estrutura ou um profissional competente. \u00c0s vezes o profissional confeiteiro at\u00e9 existe na empresa, tem vontade de fazer crescer e representar a casa, mas n\u00e3o consegue, pois seu ambiente de trabalho n\u00e3o \u00e9 adequado, em v\u00e1rios sentidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra Chef que j\u00e1 se posicionou sobre a quest\u00e3o foi a Saiko Izawa, hoje professora de confeitaria do Cordon Bleu SP:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCozinheiros costumam achar que podem fazer sobremesa, mas n\u00e3o \u00e9 assim. Confeitaria \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o e demanda qualifica\u00e7\u00e3o. O confeiteiro n\u00e3o \u00e9 um cozinheiro frustrado. Trata-se de uma escolha.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 exatamente isso, uma escolha. E uma escolha que significa muito trabalho, estudo, pr\u00e1tica e dedica\u00e7\u00e3o. Como (vejam s\u00f3!) um Chef de cozinha.<\/p>\n\n\n\n<p>O que muitos ainda n\u00e3o v\u00eaem \u00e9 que cozinheiros e confeiteiros s\u00e3o profissionais complementares e deveriam trabalhar juntos, para levar o melhor poss\u00edvel ao cliente, fazer da experi\u00eancia no restaurante uma coisa \u00fanica e especial do in\u00edcio ao fim.<\/p>\n\n\n\n<p>De l\u00e1 pra c\u00e1 j\u00e1 se v\u00e3o quase 10 anos que estou no meio, e, apesar de tudo, confeso que recentemente estou sim vendo mudan\u00e7as, o que muito me alegra! Mas ainda s\u00e3o pontuais e poucas. \u00c9 ainda dif\u00edcil ver restaurantes que levam a confeitaria a s\u00e9rio e como algo importante para a constru\u00e7\u00e3o do estabelecimento. O mercado\/ind\u00fastria ainda n\u00e3o nos atende como deveria no \u00e2mbito profissional. Fora dos restaurantes vemos tamb\u00e9m confeitarias que se preocupam mais com o vender a qualquer custo e modismos, que criar algo realmente interessante, e que instigue o consumidor. Por outro lado, tamb\u00e9m vejo um movimento incr\u00edvel acontecendo pela valoriza\u00e7\u00e3o da confeitaria, uma onda que tem crescido e ganhado apoio a cada dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse ano tivemos v\u00e1rios momentos importantes! Foram 3 edi\u00e7\u00f5es do \u201cJantar de sobremesas\u201d, participamos do \u201cChocolate week\u201d (que aconteceu pela primeira vez em Bh!), eventos, muitas aulas, debates com apoio de institui\u00e7\u00f5es de ensino, reconhecimento de colegas com convites incr\u00edveis, como para o Festival de gastronomia no sul de Minas, a seletiva do prato junino, e minha pr\u00f3pria coluna de confeitaria! E, para coroar, ainda tive a grande honra e oportunidade de comandar a pra\u00e7a de sobremesas de um restaurante pela primeira vez!<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez esse tenha sido um dos eventos mais especiais para mim no ano. Foram quase dois meses intensos de trabalho em que fiquei respons\u00e1vel pelas sobremesas do Casacor no restaurante da Agnes Farkasfolgyi. Ela, Chef com uma carreira excepcional, acompanhando toda minha trajet\u00f3ria, e tudo que aconteceu esse ano, viu que fazia mais que sentido abrir espa\u00e7o no seu restaurante para outra profissional agregar a todo conhecimento que ela j\u00e1 tem.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela me viu como parceira, como algu\u00e9m capaz de andar ao lado dela, me deu carta branca para as minhas cria\u00e7\u00f5es, e me colocou de frente ao p\u00fablico, num espa\u00e7o s\u00f3 meu para mostrar meu trabalho. N\u00e3o houve competi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o houve briga de ego, n\u00e3o houve atritos. Houve respeito, confian\u00e7a, incentivo, colabora\u00e7\u00e3o, troca, orgulho em fazer algo excepcional e fora da caixa em BH. Os elogios \u00e0s sobremesas chegavam a ela com a mesma alegria que os dos pratos, e ela fazia quest\u00e3o de dizer quem fez, me chamar \u00e0 mesa e dar me dar esse espa\u00e7o. Foi uma experi\u00eancia incr\u00edvel e de muito significado.<\/p>\n\n\n\n<p>Vimos clientes indo apenas para provar as sobremesas, outros que n\u00e3o tinham o h\u00e1bito de comer sobremesas e fizeram quest\u00e3o de provar, por serem inusitadas e diferentes do que viam no cen\u00e1rio da cidade. Outros que comeram sem esperar grande coisa e se encantaram! Encerrando a refei\u00e7\u00e3o com alegria, com aquele arremate que abra\u00e7a toda a experi\u00eancia e deixa lembran\u00e7as felizes. Ao final do evento uma brigada exausta e em \u00eaxtase de alegria e dever cumprido com louvor! Novos amigos de profiss\u00e3o e para a vida! E projetos incr\u00edveis a caminho!<\/p>\n\n\n\n<p>O que eu queria com coluna desse m\u00eas \u00e9 exatamente falar como uma ideia pode realmente mudar o cen\u00e1rio de muita coisa! Um inc\u00f4modo que me perseguia na profiss\u00e3o h\u00e1 um bom tempo, me fez sair da cadeira e procurar formas de mudar a situa\u00e7\u00e3o. Essas inquietudes n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 minhas, divido com v\u00e1rios colegas de profiss\u00e3o, que tamb\u00e9m seguem promovendo mudan\u00e7as, como j\u00e1 comentei tamb\u00e9m no primeiro texto (\u201cA confeitaria pede passagem\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse foi um ano muito generoso para mim profissionalmente, realmente incr\u00edvel e arrebatador. Foi resultado de um trabalho persistente, de um questionamento incessante, e de um movimento que saiu do papel e da vontade em meados do ano passado, e, tamb\u00e9m, pelo interesse. De colegas, em me ajudar a concretizar ideias, do p\u00fablico, em querer conhecer mais meu trabalho, e meu, em encarar a caminhada. E pude ver resultados!<\/p>\n\n\n\n<p>De uma turma de faculdade de gastronomia (h\u00e1 quase 10 anos) em que eu era a \u00fanica interessada em confeitaria (e sofria deboches por isso), vejo hoje alunos com olhos brilhando pelo tema, e ocupando parcela significativa das salas de aula, interessados e buscando mais. Para mim, n\u00e3o tem pre\u00e7o essa mudan\u00e7a. Sou extremamente grata a tudo que consegui alcan\u00e7ar esse ano, e isso me mostrou novas oportunidades e expectativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Estabelecimentos que j\u00e1 notaram o poder de uma sobremesa bem elaborada e executada est\u00e3o saindo a frente. Confeiteiros que perceberam que devem buscar mais conhecimento, n\u00e3o s\u00f3 t\u00e9cnico, mas sobre nossa hist\u00f3ria, sobre cultura alimentar, o que pode vir da\u00ed, sair da caixa, criar e pensar, ser\u00e3o os destaques que v\u00e3o guiar as mudan\u00e7as. Chefs de cozinha que perceberam que podem e devem dividir o espa\u00e7o e reconhecimento com profissionais da confeitaria s\u00f3 ter\u00e3o a ganhar e \u00e9 lindo de se ver! O resultado final encanta, como j\u00e1 acontece em alguns restaurantes pelo Brasil. \u00c9 uma alegria voltar a ler os card\u00e1pios pela sobremesa, com curiosidade e interesse, e se surpreender!<\/p>\n\n\n\n<p>Espero que 2020 seja ainda mais desafiador (para evoluirmos!) e incr\u00edvel para nossa confeitaria, e eu fa\u00e7o quest\u00e3o de participar dessa mudan\u00e7a. Nossa gastronomia, nossa CULTURA ALEMENTAR, s\u00f3 tem a ganhar com o que vem por a\u00ed, e BH est\u00e1 no olho do furac\u00e3o! a Cidade Criativa da Gastronomia pela UNESCO nos d\u00e1 ainda mais esse impulso e responsabilidade para mostrar toda nossa capacidade. Que venha um novo ano pela confeitaria no Brasil!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Texto publicado em dezembro de 2020 Desde pequena, quando vou a um restaurante, come\u00e7o lendo o card\u00e1pio pelas sobremesas. Sempre foi assim, e fa\u00e7o at\u00e9 hoje. Escolho meus pratos de acordo com o que me apresentam para finaliza\u00e7\u00e3o. Se tem algo que muito me interessa, posso pular a entrada ou escolher um prato principal mais<\/p>\n<div><a class=\"btn-filled btn\" href=\"https:\/\/laparisserie.com.br\/site\/index.php\/2020\/11\/28\/vejo-mudancas-a-caminho\/\" title=\"Vejo mudan\u00e7as a caminho&#8230;\">Leia Mais<\/a><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6930,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[80],"tags":[74,75],"class_list":["post-7133","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reflexoes-2","tag-confeitaria","tag-reflexao"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/laparisserie.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/IMG_6133-scaled.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/laparisserie.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/laparisserie.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/laparisserie.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/laparisserie.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/laparisserie.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7133"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/laparisserie.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7133\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7134,"href":"https:\/\/laparisserie.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7133\/revisions\/7134"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/laparisserie.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6930"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/laparisserie.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/laparisserie.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/laparisserie.com.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}